Texto para a disciplina Teoria do Jornalismo I
A data estava marcada – dia 09 de setembro. Profissionais da comunicação de massa, que dedicaram pelo menos quatro anos da vida em formação acadêmica, montaram uma “verdadeira operação de guerra em busca de um ângulo exclusivo do dia D da atriz”, anuncia um dos maiores portais de notícias do país, o G1.
Na matéria, a repórter explica que a “operação” havia começado dez dias antes do casamento. Os termos utilizados são tão expressivos que se faz necessária a transcrição dos trechos. Sendo assim, segue a entrevista da jornalista com o editor da agência de notícias.
“Há dez dias começamos o reconhecimento do local. (...) Eles (espião, operador de computador, fotógrafos e penetras) terão a missão de entrar na festa. Neste clima de força-tarefa, ao todo a agência vai disponibilizar 25% do seu pessoal para tentar atender com fotos exclusivas as cerca de 100 empresas da sua carteira de clientes. Para as horas contínuas de plantão, para conseguir o melhor ângulo, eles contam com um kit-sobrevivência. Dentro dele tem comida, água, capa de chuva e até repelente”, relata o editor.
Para quem acredita que é pouco, domingo, sete de setembro, dia da pátria brasileira, o Fantástico dedica exatos 4 minutos e 24 segundos em uma matéria sobre o casamento de Juliana. O enfoque da pauta era: “Os atores da Central de Boatos garantem que ainda há tempo de convencer a atriz Juliana Paes que seu noivo não é o homem da vida dela. E apresentam novos pretendentes que se declaram para a musa”, divulga o site.
Não teve jeito. Juliana se casou com seu noivo Carlos Eduardo Batista. As fotos divulgadas foram do fotógrafo contratado pela atriz. As cenas do choro, do bolo, convidados e do funk foram selecionadas por sua assessoria. E, no dia seguinte, milhares de internautas olhavam, criticavam e falavam sobre a festa de casamento de Juliana Paes.
As hipóteses de Maxwell McCombs e Donald Shaw se concretizaram. O que esses pensadores falaram lá nos anos 70 ainda pode ser encaixado em pleno século XXI. De acordo com os autores, o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública, dizendo não “o que pensar” (Nossa! Que vestido horroroso), mas “em que pensar” (Quem foi no casamento?).
Os debates acerca do agenda-setting é quem pauta quem. Será que o casamento da atriz pautou a mídia ou a mídia pautou a festa de casamento da atriz. Quem vem primeiro e quem vem depois?
Outras teorias, como as diferenças de conhecimento, colocam a agenda-setting como tendo um efeito a curto prazo, sem um aprofundamento no tema, o que geraria uma compreensão melhor do mundo e de si mesmo. Ou seja, estes conhecimentos factuais são diferentes dos conhecimentos estruturais.
Mas, no final das contas, entre a pauta, o jornalista, o editor, o Fantástico, o G1, a Juliana Paes e os mini-bolos de chocolate estão os leitores. E a comunicação só se concretiza quando a informação chega ao receptor e este a codifica. O efeito e reação que o receptor devolve ao meio vão repercutir sobre o próprio sistema de comunicação, retro-alimentando o processo.
Hoje, quase uma semana depois do casamento de Juliana Paes, as notícias mudaram. Agora a notícia da vez é a estréia da nova novela das 19h, “Três irmãs”. Talvez a Juliana volte ao foco dos flashes quando, quem sabe, ela se casar novamente.
Ps. E a crise dos alimentos? Quem sabe a Espiral do silêncio tem a resposta...
Na matéria, a repórter explica que a “operação” havia começado dez dias antes do casamento. Os termos utilizados são tão expressivos que se faz necessária a transcrição dos trechos. Sendo assim, segue a entrevista da jornalista com o editor da agência de notícias.
“Há dez dias começamos o reconhecimento do local. (...) Eles (espião, operador de computador, fotógrafos e penetras) terão a missão de entrar na festa. Neste clima de força-tarefa, ao todo a agência vai disponibilizar 25% do seu pessoal para tentar atender com fotos exclusivas as cerca de 100 empresas da sua carteira de clientes. Para as horas contínuas de plantão, para conseguir o melhor ângulo, eles contam com um kit-sobrevivência. Dentro dele tem comida, água, capa de chuva e até repelente”, relata o editor.
Para quem acredita que é pouco, domingo, sete de setembro, dia da pátria brasileira, o Fantástico dedica exatos 4 minutos e 24 segundos em uma matéria sobre o casamento de Juliana. O enfoque da pauta era: “Os atores da Central de Boatos garantem que ainda há tempo de convencer a atriz Juliana Paes que seu noivo não é o homem da vida dela. E apresentam novos pretendentes que se declaram para a musa”, divulga o site.
Não teve jeito. Juliana se casou com seu noivo Carlos Eduardo Batista. As fotos divulgadas foram do fotógrafo contratado pela atriz. As cenas do choro, do bolo, convidados e do funk foram selecionadas por sua assessoria. E, no dia seguinte, milhares de internautas olhavam, criticavam e falavam sobre a festa de casamento de Juliana Paes.
As hipóteses de Maxwell McCombs e Donald Shaw se concretizaram. O que esses pensadores falaram lá nos anos 70 ainda pode ser encaixado em pleno século XXI. De acordo com os autores, o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública, dizendo não “o que pensar” (Nossa! Que vestido horroroso), mas “em que pensar” (Quem foi no casamento?).
Os debates acerca do agenda-setting é quem pauta quem. Será que o casamento da atriz pautou a mídia ou a mídia pautou a festa de casamento da atriz. Quem vem primeiro e quem vem depois?
Outras teorias, como as diferenças de conhecimento, colocam a agenda-setting como tendo um efeito a curto prazo, sem um aprofundamento no tema, o que geraria uma compreensão melhor do mundo e de si mesmo. Ou seja, estes conhecimentos factuais são diferentes dos conhecimentos estruturais.
Mas, no final das contas, entre a pauta, o jornalista, o editor, o Fantástico, o G1, a Juliana Paes e os mini-bolos de chocolate estão os leitores. E a comunicação só se concretiza quando a informação chega ao receptor e este a codifica. O efeito e reação que o receptor devolve ao meio vão repercutir sobre o próprio sistema de comunicação, retro-alimentando o processo.
Hoje, quase uma semana depois do casamento de Juliana Paes, as notícias mudaram. Agora a notícia da vez é a estréia da nova novela das 19h, “Três irmãs”. Talvez a Juliana volte ao foco dos flashes quando, quem sabe, ela se casar novamente.
Ps. E a crise dos alimentos? Quem sabe a Espiral do silêncio tem a resposta...
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