sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ser mãe, mulher e profissional ao mesmo tempo - Os desafios do século XXI

Parece que hoje, as mulheres estão vivendo num mundo fantástico, onde precisam ser como aquelas personagens – as super-heroínas. O sentimento é de ter que matar um leão a cada dia e ainda estar linda, cheirosa e com as unhas bem feitas. Exagero?! Está bem. Mas o que você tem a dizer da rotina de acordar às seis da manhã; ter uma jornada de trabalho entre oito a dez horas por dia; criar e educar duas filhas pequenas; amar e ser amada pelo marido; administrar a casa e ter um corpo, mente e espírito que sempre insistem em somatizar as aflições? Convenhamos, isso é uma tarefa quase impossível, digna de uma “super-mulher”.

Isso não é ficção para Marilene Mattos, 36, professora e coordenadora do curso de Comunicação Social da Faesa, em Vitória, capital do Espírito Santo. Em entrevista concedida no seu trabalho, em meio aos telefonemas e papeladas para assinar, ela fala com seu jeito doce e firme, sobre questões da mulher na contemporaneidade – o difícil papel de ser profissional, mãe e mulher ao mesmo tempo.

De forma simples e saudosa, ela recorda da sua graduação em jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, a Ufes. Não esquece de dizer, também, da pós-graduação em Comunicação Organizacional na mesma Instituição. Trabalhou na tv Tribuna e, desde 1999, integrou à equipe de professores da Faesa. O convite para a coordenação já havia sido realizado outras vezes, mas somente quando se sentiu preparada é que ela assumiu a responsabilidade. “Não era um sonho ir para a coordenação, até porque o ritmo é intenso. Mas já acompanhava este tipo de trabalho em outras gestões. Naquele momento, vi a possibilidade de ajudar. Sou assim, enquanto acredito que posso ajudar eu fico, quando perceber que não estou contribuindo, deixo a função”, afirma Marilene.

Com a serenidade e a determinação típica dos líderes, ela fala de sua meta em transformar o curso de Comunicação em referência, pelo menos, na região Sudeste. “Algumas coisas estão inacabadas. O curso de jornalismo merece mais. Não pretendo deixar a coordenação antes dele ter um conceito decente no Enade”, diz pausadamente a coordenadora.

As crianças. De repente, os olhos brilham e o sorriso aparece quando o assunto são as duas filhas – Luíza, de quatro anos e Helena, de apenas 11 meses. Marilene não se ilude, e afirma que a maternidade deixa a vida de pernas para o ar. Apesar de considerar ser uma “tarefa” difícil, ela se rende aos encantos das meninas. “Tem dias que dá tudo errado. Mas quando você chega em casa e tem uma pessoa que fica feliz pelo simples fato de você existir, é muito recompensador”, se emociona.

Estas horas inesquecíveis são contadas. Com o dever de cumprir as outras obrigações, os minutos ficam restritos para as filhas. "Não quero ter esses conflitos de compensar os momentos de ausência. Converso muito com elas e tento explicar as situações da melhor forma possível. Se deixar, você começa a conviver com as chantagens. E daqui a alguns anos, elas não vão mais precisar tanto de mim”, ressalta Marilene.

Apesar de querer que o dia fosse mais longo, a vida lhe presenteou com um companheiro dedicado. “Tenho a sorte de ter um marido muito participativo. De fato ele é um grande pai. Sei que ele vai pegar as meninas na escola e levar para nossa casa”, conta confiante. Além disso, ela revela sua carta coringa – a secretária do lar que trabalha na residência há dez anos. “Ela é o meu braço direito e o esquerdo. Falo que é a dona da casa”, brinca.

E eu? Uma das reclamações, ou melhor, o ponto a ser melhorado é com relação a si mesma. “O que estou precisando é arranjar tempo para mim. Isso ainda não aprendi. Até porque a minha agenda pessoal é atropelada pela rotina do trabalho”, lamenta Marilene. A constante dor na coluna e a extrema insônia são fatores que não a faz a desistir de si mesma. “Se eu dedico este tempo para mim, trabalho melhor, vou conviver bem com minha família e ter mais paciência com minhas filhas e com as situações do dia-a-dia. Espero que antes dos 40 eu aprenda”, afirma.

Marilene Mattos termina dizendo que sua vida não é melhor ou pior do que qualquer outra. “Eu tento colocar que a minha rotina não é a mais estressante. Não é a melhor e nem a pior. É só mais uma. Tento não entrar em crise com essa história”, constata feliz.

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