Foram muitos anos de espera. Primeiro veio o amor, que lhe rendeu muitos lares e poucas raízes. A cada usina implantada pelo marido, o sonho pelo canudo era adiado. Seriam cinco filhos, se uma trágica gravidez de risco não elevasse à condição de anjos, seus dois filhos gêmeos. Mas a vida é fato e seus dias eram preenchidos pela casa, com a fiel máquina de costura e ao som das histórias de ninar suas crianças.
As horas passavam, e junto, uma frase sempre a martelava: “Um dia vou entrar na faculdade, me formar e realizar todos os meus sonhos”. Mais de trinta anos se passaram. Hoje, Marina Barreto conta com a experiência dos seus 52 anos. Formou seus filhos, aposentou o marido. Sua mão que antes segurava o lar e a família ficou livre para agarrar o lápis e o caderno. Entrou para o ensino superior e, a todo momento, prova para si mesma que sempre fez a coisa certa.
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