sexta-feira, 4 de abril de 2008

Perfil José Roberto Santos Neves - O comunicador e suas diversas funções

Imagine um jogo de futebol, aos quarenta e oito minutos do segundo tempo. O jogador dribla seus adversários e gol! Seu time ganha. É assim que o jornalista José Roberto Santos Neves define sua personalidade. Persistência, teimosia e garra. Com essas características que ele consegue ser o que é: jornalista, escritor, editor e músico.

Zé Roberto, como gosta de ser chamado, diz que suas influências para a escolha do jornalismo vieram da própria família. Seu avô, historiador e folclorista Guilherme Santos Neves, foi um dos fundadores do Instituto Espírito-Santense de Folclore, em 1948. Já o tio-avô foi o “lendário” político Jones dos Santos Neves, que governou o Estado por duas vezes. A paixão pela literatura veio por seus tios, os romancistas Reinaldo e José Guilherme. Mais próximos, seu irmão João Paulo é compositor e a irmã, Mária, é publicitária e uma excelente cronista nas horas vagas. “É uma paixão. A gente tem que gostar muito para seguir nesta profissão, pois as dificuldades são muito grandes”, destaca o jornalista.

Quando criança, Zé Roberto gostava de ler, escrever e, principalmente, de contar histórias. “Eu sempre li muito a Gazetinha, e aos cinco anos, inventei de fazer uma Tribuninha, como sua concorrente”, se diverte Santos Neves. Já na adolescência, ele se transformou em roqueiro, cabeludo e baterista. “Gostava mais de rock pesado. Mas hoje escuto muito samba e MPB”, explica o músico. Ele participou, como baterista, das bandas Seven, Skelter, Lucy, The Rain e Big Bat Blues Band, nas duas últimas, chegou a gravar CDs.

A transição entre o curso de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, a Ufes, para o dia-a-dia nas redações, aconteceu de maneira natural. José Roberto começou como estagiário, em 1994, no setor de pesquisa no Centro de Documentação, Cedoc, no jornal A Gazeta. Sua função era selecionar e recortar matérias dos jornais Folha de São Paulo, O Globo, Estado de São Paulo e Jornal do Brasil. “Esta experiência me fez ler, todos os dias, o que saía nos jornais. Deu uma base de conteúdo e texto, além de ter me deixado a par do que estava acontecendo”, explica o jornalista.

Fanzine. Este exercício de observação o fez detectar uma carência no jornal A Gazeta: a falta de espaço para o público juvenil. Assim, ele idealizou e desenvolveu o Fanzine, página que abordava temas de interesse dos jovens, escritos e ilustrados numa linguagem mais ousada. Este projeto virou sua monografia de conclusão de curso. Além de ter obtido a nota máxima, a proposta foi aceita pelo jornal.

O primeiro caderno foi publicado no dia dezesseis de agosto de 1995, sobre o movimento Punk. “O importante é você dar voz pra juventude, deixar os meninos falarem. É aí que o Fanzine começou a conquistar o público e ser aceito pela juventude”, revela Santos Neves. Hoje ele é publicado uma vez por semana, no Caderno Dois. Além disso, no sábado do dia 29 de março de 2003, o canal por assinatura GTV exibiu sua versão televisiva, apresentado por ele e a jornalista Bárbara Zaganelli.

Editoria. Hoje o jornalista enfrenta outros desafios como editor do Caderno Dois do jornal A Gazeta. “Há muita coisa a ser feita. Definir pautas, distribui-las, revisar textos, ver a parte comercial, além das várias colunas que têm no caderno”, revela Santos Neves. Além disso, sua preocupação está voltada em dar espaço para a cultura e artistas do Estado. “Se a gente (A Gazeta) não falar sobre nós, quem vai fazer isso? Mas não é por que é capixaba que vamos passar a mão na cabeça. A critica vai se nivelar com as produções nacionais, para que possamos evoluir”, esclarece.

Durante todo o período de sua formação, ele optou por cultura, e dentro dela, pela música. “Defendo a especialização, pois ela faz você argumentar melhor na crítica e nas matérias. Me especializei em música por me identificar melhor com ele”, aconselha o jornalista. Sobre as outras áreas, o editor considera que nas artes-plásticas e na literatura, principalmente, o Espírito Santo está bem representado.


Das canções de Maysa para livro biográfico

O convite feito pelo jornalista e escritor Antônio de Pádua Gurgel, para escrever uma biografia da cantora Maysa Figueira Monjardim (1936 – 1977), foi um dos mais representativos de sua carreira. Ele não hesitou. Pediu licença do jornal A Gazeta e dedicou três meses para escrever a obra. “Foi uma possibilidade incrível, um passo profissional muito representativo, pois sempre quis registrar idéias e entrevistas em livro. Então juntei o útil ao agradável. Foi fascinante!”, assegura Santos Neves.

O autor considera a produção de uma biografia algo desafiadora de se realizar. “A biografia é uma grande reportagem. Você tem que entrevistar, checar os dados, pesquisar, ler e encadear uma história. Às vezes, um determinado trecho falta informação e você tem que descobrir de qualquer jeito”, revela o autor. Maysa foi lançado em 2004, e faz parte da Coleção Grandes Nomes do Espírito Santo.


De conversa em conversa, surge o MPB

O período estipulado foi de dez anos. O jornalista José Roberto Santos Neves registrou em seu livro, “MPB: De conversa em conversa” (2006), os bastidores das entrevistas realizadas com os maiores nomes da música popular brasileira. Todas foram publicadas no Caderno Dois, do jornal A Gazeta, de 1995 a 2005.

Os critérios de seleção utilizados foram à representatividade do artista no cenário nacional e o conteúdo revelado por eles. Foi o autor quem fez toda a produção, redação e edição da obra. Para isso, ele cursou uma pós-graduação em Gestão em Assessoria de Comunicação, na Faesa, tendo o livro como tema de sua monografia.

Para a obra, o jornalista escolheu artistas de diferentes estilos, que vão desde Roberto Carlos, Caetano Veloso, Lenine, Martinho da Vila, Lobão, até a popular Ivete Sangalo. “O copião das entrevistas, que é aquele material que a gente descarta, foi a base para este livro. Uma dica que deixo aos jornalistas é de não jogar fora este material, o que acontece muitas vezes por falta de espaço. Eu recuperei e reconstruí tudo e escrevi em forma de crônica. As pessoas têm curiosidade em saber não só o diálogo com o artista, mas o que não entrou na matéria”, aconselha o autor.

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