sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Espírito Santo em pauta

Nasci em São Paulo, morei em Minas Gerais e estava na Bahia quando recebi a notícia que minha família tinha comprado um apartamento em Guarapari, litoral do Espírito Santo. Minha primeira reação foi a de estranhamento, pois conhecia muito pouco, ou quase nada, sobre o Estado. Sabia, apenas, que se localizava na região Sudeste.

Quando cheguei a terras capixabas, um pequeno grande mundo apareceu diante de mim. Belas praias, regiões serranas com identidade próprias, muros com poucas pichações e fala sem muito sotaque. A primeira vez que passei pela terceira ponte, uma atmosfera romântica envolvia a Ilha. Fiquei indignada e me perguntei por que um Estado com tantas belezas e potencialidades estava “escondido”?

Comecei a assistir televisão, ouvir rádios, ler jornais. Saía pela rua e fazia questão de conversar com os nativos. Logo percebi uma contradição entre o esforço de se divulgar o Estado e a resistência dos capixabas em assumir uma identidade.

Programas televisivos como o “Em movimento” - TV Gazeta, “Fala Espírito Santo” – TV Vitória, “Programa Estúdio” – TVE e “Jornal Guarapari” – TV Guarapari são bons exemplos do esforço em divulgar assuntos locais. Na rádio, o programa “Rock por essas bandas”, comandada pelo radialista Serjão, já estava completando dez anos divulgando a produção musical capixaba. Em contrapartida, muitos nativos relutavam em aceitar que o congo, a moqueca capixaba e as panelas de barro fazem parte da identidade do Espírito Santo.

Essas questões e tantas outras conversas com os espírito-santenses foram tomando os meus dias, meses. O que era para ser apenas férias virou endereço definitivo. Já se passaram quatro anos e ainda fico analisando como o Estado é apresentado para si mesmo e para os outros. Você já reparou como e quando o Espírito Santo está em pauta?

Que eu me lembre, os momentos em que vi o Estado aparecendo na mídia foram em assuntos relacionados com a violência e ao tráfico de drogas. Várias vezes o município da Serra despontou como sendo um dos lugares mais perigosos de se viver. Além disso, a estrada que liga Espírito Santo a Minas Gerais é cenário de muitas mortes, principalmente nos feriados.

Vamos recortar os noticiários dos últimos dias. Em pauta, a cafetina Andréia Schwartz, envolvida no escândalo com o governador de Nova York, Elliot Spitzer, nome dele, em que ela ajudou a policia norte-americana desvendar o caso. Neste domingo, o programa “Fantástico” dedicou mais de seis minutos de sua programação para exibir uma entrevista exclusiva com a cafetina internacional capixaba.

Assim, pensar a imagem do Espírito Santo frente aos brasileiros é um exercício que parece estar longe de acabar. Este é um grande desafio para os nativos e para aqueles que, por diversos motivos, abraçaram o Estado como sendo o seu.

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