sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O casamento

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. E quando falo em pecado, vale também para aqueles cometidos pelo pensamento... Se você acha que errar é humano, então leia O Casamento, de Nelson Rodrigues. Lá você vai ver a sujeira que fica escondida debaixo do tapete.

No lançamento do romance, em 1966, a venda do livro foi proibida em todo território brasileiro. O então ministro da Justiça do Governo Castello Branco, Carlos Medeiros Silva, alegou que a obra atentava contra a organização da família. Para ele, as cenas descritas eram obscenas e com linguagem indecente.

Em resposta ao veto, Nelson Rodrigues escreveu a crônica À sombra das chuteiras imortais, no jornal O Globo. Nela, o jornalista defende que qualquer pessoa pode discutir o casamento, o celibato, o adultério, a castidade e a viuvez – temas presentes no livro.

Como a proibição feita pelo ministro foi inconstitucional (a lei protegia os livros da censura), em abril de 1967, o Tribunal Federal de Recursos liberou O Casamento. A partir de então, qualquer pessoa pode ter em mãos mais uma história contada pelo “anjo pornográfico”. Mas, primeiro, é preciso ter coragem.




Livro: O Casamento
Autor: Nelson Rodrigues
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1966

Nelson Rodrigues nasceu em Recife/PE, em 1912 e morreu no Rio de Janeiro, em 1980. O escritor é mais conhecido pelas suas crônicas, publicadas originalmente em jornais. Entre suas obras, pode-se destacar A vida como ela é, Beijo no asfalto e Vestido de Noiva.

Panorama do Cinema Brasileiro

A viagem é de 64 anos, mas o diretor Jurandir Noronha traça o Panorama do cinema brasileiro em apenas 134 minutos. O documentário produzido em 1968 é, até hoje, peça importante para a memória da sétima arte do país. A obra conta com grande riqueza de imagens, trechos de filmes memoráveis e personalidades que marcaram o cinema nacional.

Tudo começou em 19 de junho de 1898, quando a película mostrava ao Brasil sua primeira imagem, a Bahia da Guanabara. Depois, veio o primeiro filme, Os estranguladores (1906), que foi exibido mais de oitocentas vezes no cinema Palace, no Rio de Janeiro. Assim, relatando com desenvoltura os acontecimentos históricos, Noronha continua a viagem com Humberto Mauro (Tesouro Perdido), Alberto Cavalcanti (fundador da Vera Cruz), Carmem Miranda, Oscarito, Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas), Walter Lima Júnior (Menino de engenho), Glauber Rocha, Carlos Diegues, dentre muitos. A última parada é em 1962 com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, filme que conquistou a Palma de Ouro.

O documentário faz refletir o quanto o cinema brasileiro é rico. E a riqueza não está nos grandes orçamentos, mas na criatividade de produzir com os recursos limitados, nas boas histórias para contar e, principalmente, no talento daqueles que fizeram a história acontecer. Conhecer o passado para trilhar o futuro parece ser uma atitude sensata. Panorama do cinema brasileiro, além de necessário, é imperdível.


Filme: Panorama do Cinema Brasileiro
Diretor: Jurandir Passos Noronha
Ano: 1968
Duração: 134 minutos
P&B

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Juliana Paes vai se casar!

Texto para a disciplina Teoria do Jornalismo I
A data estava marcada – dia 09 de setembro. Profissionais da comunicação de massa, que dedicaram pelo menos quatro anos da vida em formação acadêmica, montaram uma “verdadeira operação de guerra em busca de um ângulo exclusivo do dia D da atriz”, anuncia um dos maiores portais de notícias do país, o G1.

Na matéria, a repórter explica que a “operação” havia começado dez dias antes do casamento. Os termos utilizados são tão expressivos que se faz necessária a transcrição dos trechos. Sendo assim, segue a entrevista da jornalista com o editor da agência de notícias.

“Há dez dias começamos o reconhecimento do local. (...) Eles (espião, operador de computador, fotógrafos e penetras) terão a missão de entrar na festa. Neste clima de força-tarefa, ao todo a agência vai disponibilizar 25% do seu pessoal para tentar atender com fotos exclusivas as cerca de 100 empresas da sua carteira de clientes. Para as horas contínuas de plantão, para conseguir o melhor ângulo, eles contam com um kit-sobrevivência. Dentro dele tem comida, água, capa de chuva e até repelente”, relata o editor.

Para quem acredita que é pouco, domingo, sete de setembro, dia da pátria brasileira, o Fantástico dedica exatos 4 minutos e 24 segundos em uma matéria sobre o casamento de Juliana. O enfoque da pauta era: “Os atores da Central de Boatos garantem que ainda há tempo de convencer a atriz Juliana Paes que seu noivo não é o homem da vida dela. E apresentam novos pretendentes que se declaram para a musa”, divulga o site.

Não teve jeito. Juliana se casou com seu noivo Carlos Eduardo Batista. As fotos divulgadas foram do fotógrafo contratado pela atriz. As cenas do choro, do bolo, convidados e do funk foram selecionadas por sua assessoria. E, no dia seguinte, milhares de internautas olhavam, criticavam e falavam sobre a festa de casamento de Juliana Paes.

As hipóteses de Maxwell McCombs e Donald Shaw se concretizaram. O que esses pensadores falaram lá nos anos 70 ainda pode ser encaixado em pleno século XXI. De acordo com os autores, o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública, dizendo não “o que pensar” (Nossa! Que vestido horroroso), mas “em que pensar” (Quem foi no casamento?).

Os debates acerca do agenda-setting é quem pauta quem. Será que o casamento da atriz pautou a mídia ou a mídia pautou a festa de casamento da atriz. Quem vem primeiro e quem vem depois?

Outras teorias, como as diferenças de conhecimento, colocam a agenda-setting como tendo um efeito a curto prazo, sem um aprofundamento no tema, o que geraria uma compreensão melhor do mundo e de si mesmo. Ou seja, estes conhecimentos factuais são diferentes dos conhecimentos estruturais.

Mas, no final das contas, entre a pauta, o jornalista, o editor, o Fantástico, o G1, a Juliana Paes e os mini-bolos de chocolate estão os leitores. E a comunicação só se concretiza quando a informação chega ao receptor e este a codifica. O efeito e reação que o receptor devolve ao meio vão repercutir sobre o próprio sistema de comunicação, retro-alimentando o processo.

Hoje, quase uma semana depois do casamento de Juliana Paes, as notícias mudaram. Agora a notícia da vez é a estréia da nova novela das 19h, “Três irmãs”. Talvez a Juliana volte ao foco dos flashes quando, quem sabe, ela se casar novamente.

Ps. E a crise dos alimentos? Quem sabe a Espiral do silêncio tem a resposta...

O Príncipe dos Repórteres

Publicado no www.faesadigital.com.br


Quinze minutos. Parecia um disco arranhado, mas pela primeira vez, todo aquele discurso de que o tempo para o jornalista é curto, se concretizou. O desafio era o seguinte: fazer um documentário sobre o jornalista José Hamilton Ribeiro.

A “brilhante idéia” e/ou “possível devaneio” partiu da professora Emília Manente. Peço desculpas às minhas adjetivações, mas explico dizendo que ela é professora de redação e pediu um vídeo. Professora de redação (que não entendia nada de vídeo) + uma obra audiovisual = “Brilhante idéia” (para a professora) e “Possível devaneio” (para as alunas que aceitaram o desafio). Detalhe, o trabalho valia nota.

José Hamilton Ribeiro tem 73 anos, dentre eles 53 dedicados à profissão. Ele fez parte da elite que atuou na revista Realidade, onde ganhou cinco dos sete prêmios Esso. Trabalhou nas mais importantes publicações do país como Folha de São Paulo, Veja, Quatro Rodas e na TV Globo, onde atua até hoje como repórter do Globo Rural. Foi o único correspondente brasileiro na Guerra do Vietnã, onde perdeu parte da perna esquerda por ter pisado em uma mina terrestre. Lançou mais de dez livros, dos mais variados temas – romances infanto-juvenis, cavalos árabes, música caipira, grandes reportagens e sobre jornalistas. Para muitos, ele é considerado o Repórter do Século, mas para o trio Sandra Sato, Edsandra Carneiro e Marina Barreto, o Príncipe dos Repórteres.

A romântica e literária expressão Príncipe dos Repórteres não é nossa. Partiu de Rogério Medeiros, jornalista, fotógrafo e diretor do Século Diário, publicação online capixaba. Para ele, José Hamilton é o único jornalista que percorre e domina, como ninguém, a mídia impressa e televisiva. Falando em Rogério, não posso deixar de citar as outras pessoas que compõem o documentário – (acreditem!) os jornalistas Ricardo Kotscho, Moacir Longo, o fotógrafo Walter Firmo, o cinegrafista Jorge dos Santos, a historiadora Letícia de Moraes, o agrônomo Reginaldo Conde, a esposa Maria Cecília e o próprio José Hamilton.

Foram seis horas de gravação bruta, mais de quatrocentas fotos tratadas, 20 livros devorados em três semanas, várias histórias cômicas (outras nem tanto) em São Paulo, algumas aulas perdidas, dinheiro contado e, apenas, 40 dias para produção, captação, edição e entrega do trabalho pronto. O tempo, literalmente, foi pouco. Mas hoje, quase três meses depois, fica a sensação de missão cumprida. O vídeo foi exibido na Semana de Comunicação da Faesa, na GranExpo 2008 (por indicação do próprio Zé Hamilton), no Festival REC e ganhou o Festival Universitário da PUC/Rio como melhor documentário. E, mais importante do que as exibições, é valorizar e imortalizar em imagens, personagens que escrevem a história de nosso país e que, como brasileiro, nos enchem de orgulho. Para José Hamilton Ribeiro, 15 minutos é muito pouco.

Festival rumo a 2009

Matéria publicada no www.faesadigital.com.br

Como o próprio nome sugere, o Rumo Estação Cinema (REC) já está a caminho de 2009. A próxima edição do festival nacional de vídeos universitários ganhará mais um dia de exibição, tendo ao todo quatro dias de evento. Segundo o professor orientador do festival, Rodrigo Rossoni, o objetivo é ampliar as atividades, com exibição de filmes, oficinas, palestras. “Queremos que o REC tenha vida permanente ao longo do ano. Até porque a intenção não é apenas exibir, como também gerar discussão, debates e orientar para que as pessoas produzam mais e melhor”, afirma.

Nesse ano, o festival foi considerado pelos organizadores como o melhor de todas as quatro edições. A explicação vem por conta da alta qualidade dos vídeos selecionados, no recorde de público, no aumento da presença dos diretores de outros estados que tiveram seus vídeos selecionados na Mostra Competitiva, na participação do público na ‘seção resgate’ e, principalmente, pelo fato de a exibição ter acontecido no cinema.

Para o professor, a idéia de realizar a competição no Cine Metrópolis, na Ufes, foi correta. “O local é propício para o evento. Além de ser um espaço universitário, é de fácil localização e, apesar de as pessoas acharem que é pequeno, ele comporta 250 pessoas sentadas”, ressalta Rossoni. Para ele, o Metrópolis ainda é a melhor opção. “Se a conseguirmos outro espaço maior e de fácil localização será bom”.

O lançamento do filme Era uma vez, do diretor Breno Silveira (2 Filhos de Francisco) abriu a temporada 2008, vinte dias antes das exibições por problemas de agenda do diretor. Junto com a exibição do longa, a lista dos vídeos selecionados foi divulgada. Além disso, no dia seguinte à pré-estréia que aconteceu no cine Ritz Shopping Norte Sul, Breno Silveira fez uma palestra no Campus II da Faesa, onde falou sobre a produção de Era uma vez e respondeu às várias perguntas da platéia sobre o filme 2 Filhos de Francisco.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Miss Brasil 2008

No último domingo, o Brasil pode conhecer a Miss Brasil 2008, que representará o país no Miss Universo, em 15 de julho, no balneário vietnamita de Nha Thang. O concurso, realizado em São Paulo, contou com a participação de 27 candidatas, eleitas misses em cada estado brasileiro. A coroa, confeccionado pelo designer de jóias capixaba Ricardo Vieira, foi para o Rio Grande do Sul, representado por Natália Anderle, 22. A novidade fica por conta da Miss Ceará, Vanessa Vidal, a primeira candidata com deficiência auditiva, que conquistou o Miss Brasil Beleza Internacional.

Entre as 10 finalistas, a capixaba Francielem Riguete, 21, surpreendeu ao dizer que seu maior desafio como Miss Brasil, caso fosse eleita, seria controlar sua boca. A candidata revelou que tem dificuldades para manter a boa forma, pois não pára de comer. A resposta, imprópria para a ocasião, foi decisiva para sua desclassificação. Podemos perceber que, além de controlar a boca para comer, ela deveria controlar as palavras que diz.

O desfile foi embalado, ao vivo, pela banda Olodum, Alexandre Pires, Jorge Bem Jor e Gabriel – o pensador. Enquanto as candidatas desfilavam pelo palco, o rapper brasileiro fez questão de lembrar seu velho e mais conhecido hit “Cachimbo da paz”. “Maresia, sente a maresia. Maresia .../Apaga a fumaça do revólver, da pistola/Manda a fumaça do cachimbo pra cachola/Acende, puxa, prende, passa/Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça”. Os apresentadores Guilherme Arruda e Nayla Micherif fizeram questão de cantar a música, demonstrando saber de cor o que a letra tem para dizer.

A participação da ex-Miss Brasil, eleita há 50 anos, Adalgisa Colombo, foi aplaudida de pé pelos presentes ao evento. Ela ressaltou que o concurso é importante para o Brasil, pois a população precisa ver momentos de glamour e beleza, frente a tanta violência colocada pela mídia. A ex-miss mostrou, também, toda sua indignação com o resultado do último Miss Universo, que coroou a Miss Japão, ao invés da brasileira, Natália Guimarães. A opinião foi reforçada pelo apresentador e jurado convidado, Raul Gil.

O público de casa pode participar do concurso, enviando uma mensagem de celular para escolher uma das candidatas na primeira eliminatória – 15 candidatas. Além disso, pode acompanhar os acontecimentos e depoimentos das participantes nos dez dias de preparação para o concurso. Vale ressaltar também a transmissão feita pela Band que, em vários momentos, deixou o telespectador sem ouvir nada. Mas, para que música se o concurso era para ver belas mulheres?

Goste ou não, o concurso de Miss Brasil já perdura há mais de 50 anos. Muitas meninas/mulheres têm seus sonhos realizados pela coroa, mas outras milhares vivem o pesadelo da baixa auto-estima ao serem eliminadas em cada etapa da competição. Competição – quem é capaz de julgar qual é a mais bela do que a outra? Que sonho é esse de se coroar como a melhor? A número 1 do Brasil? Do universo?... Para os mais sensatos, isso é um verdadeiro fiasco.

Trama no Youtube

A Trama, considerada a maior gravadora independente do Brasil, tem um novo parceiro – o Youtube. A empresa abre um novo canal no portal para exibição de videoclipes, programas de tv, making of de bastidores, shows exclusivos, entrevistas, cobertura de festivais independentes e muita música. Os internautas já podem desfrutar dos vídeos no link www.youtube.com/trama. A gravadora é a primeira empresa do segmento de música a ter um canal no Youtube.